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Dica de filme: O Vento Será Tua Herança

  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

Infelizmente, atual demais



Ano: 1960


Sinopse: Nos anos de 1920, Bertram Cates (Dick York), um professor de biologia do Tennessee, é levado a julgamento por violar a lei conhecida como Butler Act, que proibia o ensino do evolucionismo em detrimento do criacionismo em escolas públicas. Por tratar-se de tema relevante, o processo atrai atenção nacional, principalmente pela escolha de ilustres juristas para atuar na casa: o advogado de defesa é o consagrado Henry Drummond (Spencer Tracy) e o promotor é Matthew Harrison Brady (Fredric March), conhecidos nacionalmente por suas linhas de pensamento diametralmente opostas.

O caso retratado no filme é inspirado em um caso real, o chamado “Processo do Macaco de Scopes”, em alusão à Teoria da Evolução de Charles Darwin, e contrasta o progresso do saber humano com o conservadorismo fanático-religioso, especialmente nas pequenas cidades do interior, como é o caso da pequena Hillsboro. Obs.: os nomes dos personagens e da cidade (na vida real, o julgamento ocorreu em Dayton) foram alterados na trama.


Um professor preso por doutrinar crianças sobre teorias evolucionistas, acusado de profanar os textos bíblicos. Autoridades despojando-se de suas responsabilidades legais para entrar no insensato jogo de medir crenças, colocando-as acima da ciência numa verdadeira involução (negam que do macaco veio o homem, mas se esforçam brutalmente para que, do homem, se possa voltar ao macaco). Um promotor acusando com base em crenças religiosas, e um advogado são, tido como “agente do demônio” por acreditar na ciência. Soa familiar?


Inherit the wind (“O vento será tua herança”) é uma obra-prima de 1960, mas não seria surpresa se seus atores estivessem, in loco, assistindo Lady Gaga e sua pedra filosofal a cantar com Bradley Cooper na recente cerimônia do Oscar. 59 anos depois, o filme, que não prevê o futuro ou nada do gênero, é, infelizmente, atual. Será tão difícil notar o retrocesso? Penso que não, mas me indago: daqui a 59 anos, notarão os erros do agora?


Mais do que a prisão em si, está em julgamento a liberdade de pensamento, de expressão, de crença e de cátedra, o que faz do filme um dos melhores e mais famosos filmes de tribunal já produzidos.


Juridicamente, vislumbramos o processo de escolha dos jurados entre acusação e defesa, sua possibilidade de protestar perante o juiz, a necessidade de se ater aos fatos relevantes à causa e como esse julgamento de relevância pode refletir aspectos autônomos de crença e posicionamento pessoais do julgador, ferindo brutalmente a desejada imparcialidade real e efetiva.


O filme ainda nos deixa a lição de que é possível a crença religiosa sem fanatismo, com respeito à ciência, ao que não entendemos e até mesmo ao que não aceitamos.


Preceitos religiosos, que deveriam buscar sempre o bem, jamais deveriam ser utilizados para qualquer tipo de discurso de ódio, intolerância ou segregação, pois essa utilização consiste em nada mais, nada menos, que usar um dogma para ferir o próprio dogma.


Não faz qualquer sentido, não há lógica.


Prendem meu corpo, mas minha mente permanece livre.” Que Deus nos proteja… de nós mesmos.


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