top of page
  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 12 horas
  • 2 min de leitura

Um dos casos criminais mais bizarros de toda a história dos EUA virou série e sua primeira temporada fez um enorme sucesso pelo mundo. Trata-se da série “The Act” (“A encenação”, numa tradução livre), que conta a história verídica de Dee Dee Blanchard (Patricia Arquette) e Gypsy Rose (Joey King), mãe e filha, responsáveis por enganar incontáveis pessoas com doenças que nunca existiram.


Nossa, mas que doideira é essa, jovem?


Vamos lá: graças ao Furacão Katrina, as personagens perderam tudo e acabaram recebendo a doação de uma nova casa em Springfield, no Missouri, onde buscam recomeçar a vida. A vizinhança logo passa a conhecer melhor Dee Dee e especialmente sua filha, Gypsy Rose, que, segundo a mãe, teria a idade mental de uma criança de 7 anos e diversos outros problemas de saúde.


Com a cabeça raspada e numa cadeira de rodas, a adolescente sequer poderia se alimentar pela via oral, pelo que se alimenta através de uma sonda. Em resumo, teria todas as doenças que existem e o simples fato de estar viva seria já um verdadeiro milagre se não fosse por um pequeno detalhe: na verdade, Gypsy é totalmente saudável.


Isso mesmo: Dee Dee fez todos (incluindo a própria filha) acreditarem que ela tinha problemas que na verdade nunca teve. A jovem, completamente saudável, é infantilizada e protegida ao extremo pela mãe com base em mentiras para manter as doações que recebem desde a sua infância.


Bom, pode-se entender que é apenas a prática de estelionato, mas existe uma doença chamada Síndrome de Münchausen que faz com que o paciente crie doenças e sintomas inexistentes para buscar tratamentos desnecessários, e uma de suas variáveis, a Síndrome de Münchausen por Procuração (SMPP), encaixa-se perfeitamente ao caso e consiste em uma abominável forma de abuso infantil.


Certo é que a história mostra muito sobre estelionato, fraude, abuso infantil, furtos, assassinato, alienação parental, assédio e outros tipos de picaretagem, mas deixa uma pergunta: numa análise subjetiva, como medir culpa ou dolo de alguém que foi vítima de abuso por toda a sua vida? Como julgar alguém assim?


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 12 horas
  • 2 min de leitura

Série: Watchmen

Ano: 2019


A talvez mais icônica história em quadrinhos de todos os tempos ganhou uma série em 2019. Produzida pela HBO e baseada na obra de Alan Moore, Dave Gibbons e John Higgins, Watchmen transcendeu a ideia de que quadrinhos e super heróis eram tema para crianças, revolucionando a DC Comics e todo o gênero ao aplicar à história conceitos sobre física, política, viagem no tempo, sociologia, filosofia, etc.


Na história, os super heróis foram “normalizados" e fazem parte do cotidiano das pessoas a ponto de criarem um debate sobre sua confiabilidade e imprescindibilidade, afinal de contas, será mesmo que nós, seres humanos, precisamos da intervenção de vigilantes dotados de vontade e interesses próprios?


Juridicamente falando, a história aborda diversos conceitos interessantes, a começar pela “Lei Keene”, responsável por proibir a atuação de todos os vigilantes que não estivessem devidamente cadastrados para atuar a serviço do Estado (sob supervisão das forças policiais).


Diferente de outras obras, Watchmen fala sobre intervenção estatal na vida privada, liberdades, direitos fundamentais, direitos humanos, propriedade intelectual (especialmente quanto ao império criado na história por Adrian Veight, o “Ozymandias”), igualdade e outros institutos jurídicos e sociológicos, destacando-se o combate ao preconceito racial, um dos focos centrais dessa primeira temporada da série.


Por fim, não poderia deixar de destacar o intenso debate religioso criado por meio da veneração ao “ser supremo” que na história é representado pelo famoso Dr. Manhattan, que assume tanto a postura de misericordioso quanto de impiedoso, a depender de quem o julga. Venerado pela maioria (ainda que por temor), é uma imagem perfeita da sociedade atual quando se fala em crenças religiosas.


Pô, conseguiram colocar tudo isso em uma história em quadrinhos, que já seria legal pelo simples fato de ser uma história em quadrinhos. Indicamos tanto a HQ quanto a série, vai de cada um escolher o que mais lhe agrada. E fica aqui um questionamento: “who watches the Watchmen?” (quem vigia os vigilantes?)


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Justiça? Para quem?


Série: Olhos que condenam (“When they see us”)

Ano: 2019

(Tem no Netflix!)


A nova minissérie que tá rolando no Netflix, produzida por Ava DuVernay, conta a história verídica que marcou o final da década de 1980, quando cinco jovens negros foram condenados por espancar, estuprar e matar uma mulher branca que corria no Central Park, em Nova York, nos EUA.


Tentando falar sobre o caso sem dar spoiler que faça a série perder a graça, trata-se de um mergulho no caso conhecido como “The Central Park Jogger Case”, relatado de uma forma multidimensional e não apenas com base nos documentos e depoimentos da época.


Juridicamente, a minissérie mostra os impressionantes abusos cometidos por todo o sistema acusatório, o preconceito social contra negros e pobres, a influência da mídia em julgamentos que ganham clamor popular, o senso deturpado de justiça de alguns otários como Donald Trump (e a influência que esses comentários de ódio possuem, bem semelhante ao que, infelizmente, também estamos vivenciando por aqui), a politização de assuntos criminais e diversas falhas de um sistema que foi criado para falhar com pobre.


O que também se mostra interessante são os desdobramentos de condenações injustas, pois não se trata “apenas” do período em que o réu permanece preso injustamente, mas de como isso destrói suas famílias, cria traumas eternos e desnuda a fragilidade do sistema que promete a ressocialização do detento, impossível diante do estigma criado pela condenação injusta e que terá que carregar quando (se) estiver em liberdade.


Tudo tenebroso, e tudo real, tanto na época quando hoje em dia, pois está longe de morrer a prática criminosa utilizada por servidores públicos para, supostamente, “combater o crime”. Inventar provas, ocultar documentos, coagir o réu e instruir testemunhas são práticas que acontecem todos os dias, em maior ou menor escada, mas que nem sempre vêm à tona. A maioria das injustiças não são revertidas ou reveladas, e provavelmente mais uma esteja acontecendo nesse momento, no fórum mais perto de você.


Logotipo Escritório
  • Whatsapp
  • Instagram

(14) 3372-7518
RUA QUINTINO BOCAIÚVA, 805, CJ 3
CENTRO - SANTA CRUZ DO RIO PARDO  SP
18900-039

Pellegrino Advogados. Todos os direitos reservados. Design by VSHHH

bottom of page