- Enzo Pellegrino

- há 8 horas
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Noam Chomsky, questões familiares, muito amor e Guns N' Roses!

Ano de lançamento: 2016
Sinopse: Ben (Viggo Mortensen) e sua esposa têm seis filhos e decidem criá-los de uma forma excêntrica, em meio à floresta, distante da civilização e de todos os padrões sociais comumente impostos: criá-los em desacordo com o sistema. Diferentemente das outras crianças, os filhos de Ben aprendem desde cedo a caçar, lutar, praticar exercícios pesados e tudo o mais que se mostra necessário para sua sobrevivência. Quanto à educação, ao invés de seguirem o roteiro de aulas normais do ensino fundamental e médio, lêem obras clássicas, debatem e aprendem de forma muito mais avançada do que as crianças de sua idade. Evolução, autoconhecimento e autossuficiência. Tudo caminha bem até que uma tragédia os mobiliza e os faz irem de encontro à civilização, confrontando modos de viver e pensar totalmente distintos.
Este que vos escreve (instagram: @enzopell) tem que admitir que ama esse filme (de paixão!). Com atuações impecáveis e uma história realmente bela, a obra nos faz pensar, refletir e contestar vários aspectos de nossas próprias vidas e daqueles que nos cercam, especialmente quanto ao tratamento que destinamos às crianças, aos delírios de consumo e ao que se mostra realmente essencial para que possamos viver bem e felizes.
Mostra, ainda, a incrível aventura de ser pai.
A família central da história vive sob os preceitos de Noam Chomsky (anarquismo/socialismo libertário), e quem não o conhece terá uma boa oportunidade para mergulhar em suas pesquisas após assistir ao filme, que, como bem definido pela página Adoro Cinema, “é uma mistura de Pequena Miss Sunshine com Na Natureza Selvagem.” (dois filmes excelentes, vale dizer).
O filme também cria o interessante debate sobre a liberdade e os limites no exercício do poder familiar. Até que ponto os pais podem definir a forma de criar seus filhos? Não criá-los como a maioria significa, necessariamente, que estão sendo prejudicados? Essa dúvida se mostra latente na obra, que aborda a questão da perda desse poder e da modificação de guarda quando outros membros da família demonstram maior capacidade para criar e proteger as crianças, o que, de acordo com o ECA, seria o princípio do melhor interesse do menor.
Noam Chomsky, questões familiares, muito amor e Guns N' Roses na trilha sonora: eis uma receita infalível.
Ah, já ia me esquecendo: “Power to the people, stick it to the man!”


