Dica de filme: Roma
- Enzo Pellegrino

- há 14 horas
- 2 min de leitura

Filme: Roma
Ano: 2018
(Tem no Netflix!)
Nossa indicação da vez é um dos grandes clássicos dos tempos modernos e que figura como símbolo maior da inclusão de filmes lançados diretamente em plataformas de streaming nas grandes premiações do cinema mundial. E não apenas participou, como arrebatou 3 estatuetas no Oscar e 2 no Globo de Ouro, sem contar outras tantas premiações.
Mas o que faz de ROMA um filme tão especial?
Bom, tentando não enrolar muito, o filme do consagrado Alfonso Cuarón foi inspirado em sua própria infância, vivida no México durante a década de 1970, e dedicado principalmente a Liboria Rodríguez, a “Libo”, como era carinhosamente chamada a empregada doméstica que trabalhou para sua família na época e que inspirou a protagonista da trama: Cleo.
É notória a genialidade das atuações e a exuberância da fotografia, mas nossa indicação se dá pelo contexto da época e pela relação de Cleo com os patrões, fatores que demonstram com perfeição o enorme preconceito racial e social e que permeia há séculos todo o planeta, mas que atinge especialmente os países da América Latina e, ainda mais diretamente, as empregadas domésticas.
Embora se passe no México, poderia perfeitamente se passar por aqui ou em qualquer país vizinho, onde são tratadas como normais a terceirização da criação dos filhos, dos cuidados com a casa e com a família. Ou vai dizer que soa surpreendente ver uma família com melhores condições financeiras fazendo com que sua empregada abdique da própria vida e da própria família para garantir o seu sustento, numa falsa relação de pertencimento que esconde um enorme desrespeito aos seus direitos e garantias fundamentais? Soa incomum que uma empregada doméstica seja veladamente tolhida de sua dignidade?
É justamente aí que reside, para mim, claro, a maior beleza do filme: temos tudo isso, também um processo de humanização da protagonista, pois não faltam bons sentimentos e bons momentos permeados de carinho, cuidado, amor.
O México de 1970 não é tão diferente do Brasil de 2020. Que possamos fazer os direitos fundamentais e o amor sempre pesarem mais na balança.




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