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  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 13 horas
  • 2 min de leitura

Um dos casos criminais mais bizarros de toda a história dos EUA virou série e sua primeira temporada fez um enorme sucesso pelo mundo. Trata-se da série “The Act” (“A encenação”, numa tradução livre), que conta a história verídica de Dee Dee Blanchard (Patricia Arquette) e Gypsy Rose (Joey King), mãe e filha, responsáveis por enganar incontáveis pessoas com doenças que nunca existiram.


Nossa, mas que doideira é essa, jovem?


Vamos lá: graças ao Furacão Katrina, as personagens perderam tudo e acabaram recebendo a doação de uma nova casa em Springfield, no Missouri, onde buscam recomeçar a vida. A vizinhança logo passa a conhecer melhor Dee Dee e especialmente sua filha, Gypsy Rose, que, segundo a mãe, teria a idade mental de uma criança de 7 anos e diversos outros problemas de saúde.


Com a cabeça raspada e numa cadeira de rodas, a adolescente sequer poderia se alimentar pela via oral, pelo que se alimenta através de uma sonda. Em resumo, teria todas as doenças que existem e o simples fato de estar viva seria já um verdadeiro milagre se não fosse por um pequeno detalhe: na verdade, Gypsy é totalmente saudável.


Isso mesmo: Dee Dee fez todos (incluindo a própria filha) acreditarem que ela tinha problemas que na verdade nunca teve. A jovem, completamente saudável, é infantilizada e protegida ao extremo pela mãe com base em mentiras para manter as doações que recebem desde a sua infância.


Bom, pode-se entender que é apenas a prática de estelionato, mas existe uma doença chamada Síndrome de Münchausen que faz com que o paciente crie doenças e sintomas inexistentes para buscar tratamentos desnecessários, e uma de suas variáveis, a Síndrome de Münchausen por Procuração (SMPP), encaixa-se perfeitamente ao caso e consiste em uma abominável forma de abuso infantil.


Certo é que a história mostra muito sobre estelionato, fraude, abuso infantil, furtos, assassinato, alienação parental, assédio e outros tipos de picaretagem, mas deixa uma pergunta: numa análise subjetiva, como medir culpa ou dolo de alguém que foi vítima de abuso por toda a sua vida? Como julgar alguém assim?


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