Dica de filme: Se a Rua Bale Falasse
- Enzo Pellegrino

- 29 de mar. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: há 2 dias
A luta conta um sistema que condena pela cor da pele

Filme: Se a Rua Beale falasse
Ano: 2019
Baseada no célebre romance de James Baldwin, a obra conta a história de amor entre os jovens Fonny (Stephan James) e Tish (Kiki Layne), em meados da década de 1960. Com o famoso Harlem como cenário, o início da construção de suas vidas como casal é interrompido quando Fonny é preso por um crime que não cometeu, e isso ocorre justamente quando Tish descobre estar grávida. Desejando com todas as forças que o filho possa ser criado por pai e mãe, ela faz de tudo para provar sua inocência.
Embora a história tenha muito bem definidos seus personagens principais, não trata apenas deles, e sim de um contexto histórico de racismo, injustiça e indiferença que vigorava à época e que, infelizmente, ainda sobrevive.
O filme se passa no Harlem, bairro de Manhattan, na cidade de Nova Iorque, conhecido mundialmente pela força da cultura afro-americana e, por isso, onde se pode sentir ainda mais a brutalidade do preconceito em relação à cor da pele. Prisões injustas e mortes, no fim das contas, são apenas as consequências mais gravosas de um trágico cenário de humilhações e assédio vivenciados diária e rotineiramente pelos negros, e isso, infelizmente, parece estar longe de acabar (preconceito velado também é preconceito, amiguinhos).
O que o filme mostra de forma brilhante é que essa discriminação não parte apenas dos brancos, já que as minorias também agridem a si próprias. Assim como o machismo também pode vir da mulher, há preconceito racial de negros contra negros, seja por racismo ou injúrias, numa desunião que enfraquece a todos, ofensores e ofendidos. Penso ser natural (embora lamentável) que a ignorância intelectual e principalmente moral apresente às vítimas um caminho tortuoso para deixar essa posição: tornar-se o agressor.
Ainda podemos perceber como o sistema de negociação de penas pode se mostrar cruel com inocentes, que, conscientes da própria vulnerabilidade, deparam-se com ofertas que lhes podem tirar anos de liberdade pelo simples receio de serem punidos, de forma ainda mais gravosa, por crimes que não cometeram. E tem gente que quer no Brasil, né?




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