- Enzo Pellegrino

- há 11 horas
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As pessoas não são números, cazzo!

Filme: I, Daniel Blake (“Eu, Daniel Blake”)
Ano: 2016
Daniel Blake (Dave Johns) é um carpinteiro inglês de 59 anos de idade que, após sofrer um ataque cardíaco, é orientado por seus médicos a não voltar ao trabalho por se encontrar ainda sem condições para tanto. Para não ficar sem renda e poder sobreviver de forma digna, busca acionar o Estado para receber o correspondente benefício previdenciário, no caso, auxílio-doença. A partir de então, passa a sofrer com a burocracia do sistema e conhece Katie (Hayley Squires), mãe solteira, desamparada e desempregada com 2 filhos para criar.
“Ô loco, bicho”, que baita filme! Acabou seu sofrimento para encontrar algo para assistir no Netflix. “Eu, Daniel Blake” é um relato frio e brutal da difícil realidade vivida pelos mais pobres não só na Inglaterra, como também no Brasil, o que faz com que a obra fique ainda mais interessante.
Formalismos desnecessários e excesso de burocracia podem ganhar contornos de crueldade quando a pessoa se encontra doente, incapaz de trabalhar e, no mais das vezes, com problemas financeiros e bocas para alimentar.
Na Inglaterra, assim como no Brasil, exige-se a realização de uma perícia médica anterior à concessão dos benefícios. Mas e se o perito errar? Haverá possibilidade de recurso, claro, mas como a decisão pericial é essencial para a concessão dos benefícios, não é incomum que alguém se encontre refém de uma avaliação injusta que o deixa num desconfortável limbo por longo tempo: nem afastado, nem trabalhando.
O sistema pode ser desumano quando oferece tratamento impessoal aos mais necessitados. As pessoas não são números, cazzo! E isso piora com a tecnologia e com o atendimento digital. Embora o processo digital tenha diversas benesses, pode ser desesperador aos que não entendem um mínimo de informática e que poderiam resolver com muito mais facilidade os seus problemas se tivessem atendimento presencial.
Infelizmente, são incontáveis os casos em que necessitados ficam abandonados à própria sorte, vítimas de um sistema que pode ser mostrar covarde com os mais pobres. Uma verdadeira ode ao desamparo.


