- Enzo Pellegrino

- há 17 horas
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Filme: A vida dos outros (Das leben der Anderen)
Ano: 2006
Dirigida por Florian Henckel von Donnersmarck (saúde!), a obra alemã ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro e mostra o cenário de grande perseguição que existia na Alemanha Oriental, por parte do próprio Estado, contra aqueles que ousassem criticar o regime totalitário então vigente.
O filme mostra o romance vivido entre um consagrado diretor e escritor de peças de teatro (Georg Drayman) e uma bela e e famosa atriz (Christa-Maria Sieland), vítimas de investigação por estarem supostamente traindo o regime comunista. Com essa desculpa, o Ministro da Cultura, na verdade também interessado na atriz, vale-se da Stasi (como se chamava a temida polícia secreta do país) para espioná-los e assim, quem sabe, alcançar seus interesses pessoais.
É justamente nesse ponto que surge outro personagem central do filme: o calculista agente secreto da Stasi, Gerd Wiesler, encarregado de espionar o casal em tempo integral por meio de escutas plantadas em sua residência.
Embora se trate de um filme que aborda muito do contexto histórico europeu e especialmente alemão vivido enquanto perduravam ditaduras comunistas, uma abordagem jurídica se mostra sempre interessante: quais os limites da atuação do Estado em relação aos direitos e garantias fundamentais de cada cidadão?
Em quais cenários, em nosso país, seria possível (ou moralmente aceitável) interceptar ligações, implantar escutas ou invadir domicílios para investigar um cidadão suspeito de algo? Existem limites à liberdade de expressão e à inviolabilidade de domicílio?
O assunto parece tratar de algo que ficou no passado, quando alguns regimes impunham que o indivíduo servisse ao Estado, e não o contrário. No entanto, em tempos tão sombrios de desconfiança, desrespeito à liberdade de crítica e uso até mesmo de violência sob a justificativa de combate a um incansável “fantasma comunista”, é algo a se pensar e que dá ainda mais valor à nossa indicação da vez: a vida dos outros.


