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  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • 16h
  • 2 min de leitura

Noam Chomsky, questões familiares, muito amor e Guns N' Roses!



Ano de lançamento: 2016

Sinopse: Ben (Viggo Mortensen) e sua esposa têm seis filhos e decidem criá-los de uma forma excêntrica, em meio à floresta, distante da civilização e de todos os padrões sociais comumente impostos: criá-los em desacordo com o sistema. Diferentemente das outras crianças, os filhos de Ben aprendem desde cedo a caçar, lutar, praticar exercícios pesados e tudo o mais que se mostra necessário para sua sobrevivência. Quanto à educação, ao invés de seguirem o roteiro de aulas normais do ensino fundamental e médio, lêem obras clássicas, debatem e aprendem de forma muito mais avançada do que as crianças de sua idade. Evolução, autoconhecimento e autossuficiência. Tudo caminha bem até que uma tragédia os mobiliza e os faz irem de encontro à civilização, confrontando modos de viver e pensar totalmente distintos.

Este que vos escreve (instagram: @enzopell) tem que admitir que ama esse filme (de paixão!). Com atuações impecáveis e uma história realmente bela, a obra nos faz pensar, refletir e contestar vários aspectos de nossas próprias vidas e daqueles que nos cercam, especialmente quanto ao tratamento que destinamos às crianças, aos delírios de consumo e ao que se mostra realmente essencial para que possamos viver bem e felizes.


Mostra, ainda, a incrível aventura de ser pai.


A família central da história vive sob os preceitos de Noam Chomsky (anarquismo/socialismo libertário), e quem não o conhece terá uma boa oportunidade para mergulhar em suas pesquisas após assistir ao filme, que, como bem definido pela página Adoro Cinema, “é uma mistura de Pequena Miss Sunshine com Na Natureza Selvagem.” (dois filmes excelentes, vale dizer).


O filme também cria o interessante debate sobre a liberdade e os limites no exercício do poder familiar. Até que ponto os pais podem definir a forma de criar seus filhos? Não criá-los como a maioria significa, necessariamente, que estão sendo prejudicados? Essa dúvida se mostra latente na obra, que aborda a questão da perda desse poder e da modificação de guarda quando outros membros da família demonstram maior capacidade para criar e proteger as crianças, o que, de acordo com o ECA, seria o princípio do melhor interesse do menor.


Noam Chomsky, questões familiares, muito amor e Guns N' Roses na trilha sonora: eis uma receita infalível.

Ah, já ia me esquecendo: “Power to the people, stick it to the man!


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • 16h
  • 2 min de leitura

De atuações de advogados à lei de Talião. Confira a análise!



Ano de lançamento: 2017

Globo de ouro: melhor filme estrangeiro.


Sinopse: A história gira em torno de uma família residente na Alemanha. Uma vez livre após cumprir pena por tráfico de drogas, o turco Nuri Sekerci (Numan Acar) é a imagem da ressocialização ao levar uma vida tranquila ao lado da esposa Katja Sekerci (Diane Kruger) e do filho Rocco, ainda uma criança. Tudo muda, no entanto, quando Nuri e Rocco tornam-se vítimas fatais de um atentado a bomba que ocorre em frente ao escritório onde ele trabalhava. Diante da perda de sua família, Katja participa das investigações e não mede esforços para punir os responsáveis, seja por meio da justiça ou buscando fazê-la com as próprias mãos.

Embora seja um filme controverso, “In the fade” traz à tona a questão do extremismo nazista na Alemanha, em particular com os atentados praticados pelo grupo NSU, em 2011, mas com uma particularidade: tem uma alemã como vítima.

A abordagem nos leva a enfrentar questões pessoais (como reagiríamos?) e sociopolíticas (o que leva alguém a um ato tão extremo? Em nome de quem/quê?), mas desagua numa questão muito latente em nossa sociedade: a validação ou não da Lei de Talião.


Com uma atuação impecável, a qual lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 2017, Diane Kruger nos apresenta o sistema jurídico/judiciário alemão, mostrando desde a fase inquisitiva de um processo até o seu julgamento final (citando, inclusive, a parte recursal).


Também podemos perceber diversas semelhanças com o nosso ordenamento jurídico: o enquadramento do usuário de drogas (art. 28 da Lei 11.343/06), os princípios da presunção de inocência e do in dubio pro reo, a inquirição de testemunhas, a realização de perícia técnica forense, testes toxicológicos, capacidade do testemunho, contradita de testemunhas, entre outros. Não se perde a oportunidade de presenciar, também, a atuação dos advogados, da acusação e dos julgadores conforme as leis e procedimentos alemães, bem como a dificuldade, para as vítimas, de se contentarem com a aplicação da lei quando ela soa injusta ou insuficiente.


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • 16h
  • 2 min de leitura

As pessoas não são números, cazzo!



Filme: I, Daniel Blake (“Eu, Daniel Blake”)

Ano: 2016


Daniel Blake (Dave Johns) é um carpinteiro inglês de 59 anos de idade que, após sofrer um ataque cardíaco, é orientado por seus médicos a não voltar ao trabalho por se encontrar ainda sem condições para tanto. Para não ficar sem renda e poder sobreviver de forma digna, busca acionar o Estado para receber o correspondente benefício previdenciário, no caso, auxílio-doença. A partir de então, passa a sofrer com a burocracia do sistema e conhece Katie (Hayley Squires), mãe solteira, desamparada e desempregada com 2 filhos para criar.

Ô loco, bicho”, que baita filme! Acabou seu sofrimento para encontrar algo para assistir no Netflix. “Eu, Daniel Blake” é um relato frio e brutal da difícil realidade vivida pelos mais pobres não só na Inglaterra, como também no Brasil, o que faz com que a obra fique ainda mais interessante.


Formalismos desnecessários e excesso de burocracia podem ganhar contornos de crueldade quando a pessoa se encontra doente, incapaz de trabalhar e, no mais das vezes, com problemas financeiros e bocas para alimentar.


Na Inglaterra, assim como no Brasil, exige-se a realização de uma perícia médica anterior à concessão dos benefícios. Mas e se o perito errar? Haverá possibilidade de recurso, claro, mas como a decisão pericial é essencial para a concessão dos benefícios, não é incomum que alguém se encontre refém de uma avaliação injusta que o deixa num desconfortável limbo por longo tempo: nem afastado, nem trabalhando.


O sistema pode ser desumano quando oferece tratamento impessoal aos mais necessitados. As pessoas não são números, cazzo! E isso piora com a tecnologia e com o atendimento digital. Embora o processo digital tenha diversas benesses, pode ser desesperador aos que não entendem um mínimo de informática e que poderiam resolver com muito mais facilidade os seus problemas se tivessem atendimento presencial.


Infelizmente, são incontáveis os casos em que necessitados ficam abandonados à própria sorte, vítimas de um sistema que pode ser mostrar covarde com os mais pobres. Uma verdadeira ode ao desamparo.


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