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  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 16 horas
  • 2 min de leitura

Documentário: ReMastered: Who shot the sheriff?

Ano: 2018

(Tem no Netflix!)


Eita que hoje vamos falar de um assunto que está borbulhando nos twitters da vida: a relação direta ou indireta entre cultura e política.


É justamente por isso que a indicação da vez é o excelente documentário que leva o nome de uma das mais famosas canções da lenda jamaicana Bob Marley. A obra faz parte de uma série de documentários da série “ReMastered”, e tem como escopo principal a tentativa de assassinato sofrida por Bob em 1976, em meio a uma acirrada disputa política em seu país natal.


O QUEEÊ? Por que alguém tentaria matar o cara que é símbolo de paz e amor? “I wanna know now!”


Pois é! Bob já era o ídolo máximo da Jamaica quando a disputa pelo poder atingiu o ápice de sua tensão. De um lado estava o primeiro-ministro Michael Manley, do Partido Nacional do Povo (PNP), socialista e com forte relação com Fidel Castro, o qual buscava a reeleição; do outro lado, seu rival era Edward Seaga, do Partido Trabalhista Jamaicano (JLP), acusado por muitos de ter ligação com a CIA (os intrometidos nunca falham, né? R tem gente que acha inútil estudar história :/ ).


Ambos os lados buscavam apoio de uma lenda que na verdade queria mesmo era uma Jamaica unida, forte e humana. Dias antes de um show gratuito para promover a paz, um atentado a tiros feriu entes queridos e inclusive a ele próprio, baleado no braço. Mesmo assim, realizou o show para mais de 80 mil pessoas e nele soltou a célebre frase: “As pessoas que estão tentando fazer o mundo um lugar pior não tiram dia folga. Como eu poderia tirar?” Em seguida, mudou-se para Londres e espalhou de vez o amor de suas músicas pelo mundo. (coração) (mundo).


“O resto é história”, é só tacar o play no documentário. E fica o exemplo de como a cultura pode amenizar conflitos e promover a paz e a humanidade entre os povos… Especialmente pela música, sempre pelo amor.


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

Nossa indicação da vez está ainda nas telonas e conta a história verídica de Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), um jovem negro que, logo após se formar em direito pela conceituadíssima Universidade de Harvard, decide abrir mão da busca por fama e dinheiro para atuar numa área extremamente delicada: a defesa gratuita de condenados à pena de morte no Alabama — região historicamente contaminada por um racismo explícito e agressivo —, pessoas abandonadas pelo sistema, perseguidas pela cor de sua pele e que nunca tiveram direito a uma assistência jurídica justa.


Para ajudá-lo no projeto chamado “Equal Justice Initiative” (Iniciativa pela Justiça Igualitária), Bryan contou com o apoio de Eva Ansley (Brie Larson), a outra fundadora. Mas logo de cara, entre tantos casos de condenados sem um julgamento justo, destaca-se o caso de Walter “Johnny D.” McMillian, condenado ao corredor da morte pelo assassinato de uma jovem de apenas 18 anos, crime que jura não ter cometido.


Ao analisar o caso, o advogado depara-se com incontáveis ilegalidades, conspirações e manipulações que levaram à condenação sem provas, o que dá início a uma dura batalha para tentar salvar sua vida.


Embora a história tenha retratado outro país e outra época (passaram-se décadas), infelizmente não tivemos muitas mudanças nesse cenário torpe racista que incrimina inocentes pela cor de sua pele e sem oferecimento de uma defesa boa e justa, ainda que gratuita. O sistema todo é destinado a encontrar um culpado e os defensores, no mais das vezes, fazem parte dele com um trabalho desinteressado, parcial e inconsequente.


Discorda? Basta perguntar, em nossa cidade, a diferença que os mais necessitados vêem quando comparado o trabalho de um advogado da assistência judiciária com o de um particular. Basta ver o número de negros acusados, julgados e condenados, muitas vezes sem sequer conversar com seu defensor, que não se dá ao trabalho de procurá-lo na cela do fórum para não atrapalhar seu precioso café no ar na sala refrigerada da OAB.


Sequer podemos imaginar a sensação de nascer e crescer com medo, apenas aguardando o dia em que será nossa vez de sofrer acusações injustas e tê-las justificadas pela injustificável evidência da melanina.


“Ain, posso imaginar sim, tá?” Bom, se você não nasceu negro e pobre, sinto informar, mas não pode.


É justamente por isso que o filme se mostra tão forte e atual, pois mostra o abandono do sistema com o negro pobre, o desespero das famílias e, por outro lado, a importância que uma única pessoa pode ter incontáveis outras apenas por lhes conceder um único presente, aparentemente simples, mas que tem o poder de mudar vidas: esperança. Foi esperança o que Bryan Stevenson deu aos presos e às suas famílias em meio ao desespero em face da morte iminente, e o fez por meio de um trabalho interessado, justo e dedicado, algo que deveria estar presente em qualquer defesa jurídica.


Nas palavras do próprio protagonista da história: “Eu vim da faculdade de Direito com grandes ideias em minha mente sobre como mudar o mundo, mas o Sr. McMillian me fez perceber que não podemos mudar o mundo apenas com ideias em nossas mentes. Precisamos de convicção em nossos corações. Este homem me ensinou como me manter esperançoso, porque agora sei que a falta de esperança é inimiga da justiça. A esperança permite seguir adiante, mesmo com a verdade distorcida pelas pessoas no poder. Ela nos permite continuar de pé quando nos mandam nos sentar, e a falar quando mandam nos calar. Através desse trabalho aprendi que cada um de nós é mais do que a pior coisa que já fizemos, e que o oposto da pobreza não é a riqueza, o oposto da pobreza é a justiça. Que o caráter da nossa nação não está refletido em como nós tratamos os ricos e privilegiados, mas em como tratamos os pobres, os desfavorecidos e condenados. Nosso sistema tem tirado mais desse inocente homem do que tem poder para devolvê-lo, mas acredito que se cada um de nós puder seguir esse exemplo, nós podemos mudar o mundo para melhor. Se pudermos olhar para nós mesmos de perto e honestamente, acredito que enxergaremos que todos precisamos de justiça. Todos precisamos de piedade. E, talvez, todos precisamos de uma graça não merecida.”


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 16 horas
  • 2 min de leitura

Filme: Parasita

Ano: 2019


O badalado filme sul-coreano, dirigido por Bong Joon-Ho, merece todos os elogios e não à toa foi indicado a inúmeras premiações, entre elas o Oscar 2020 que será apresentado em breve.


A obra conta como a família Kim, da camada social mais pobre da Coréia do Sul, aos poucos se aloja como um verdadeiro parasita na família Park, do extremo oposto social. Enquanto a primeira família batalha para sobreviver em uma casa que fica quase que integralmente no subsolo, imersa na famosa pindaíba, a segunda vive no que chamamos popularmente de “bolha”: mãe dona de casa, motorista particular, governanta, aulas particulares para os filhos, etc.


Sem entrar em mais detalhes porque entendo ser um filme para assistir “de peito aberto”,  indicamos não por uma análise jurídica a ser feita, como de costume. Dessa vez, a indicação se justifica pela intensidade da obra ao retratar a desigualdade social que assola o mundo (o retrato brasileiro não é diferente do que o filme mostra na Coréia). Em nossa sociedade, a exclusão social atinge níveis tão grotescos que o sonho de muitos não é ter muito, mas ter o mínimo. A possibilidade de ser explorado (como empregado) já é algo a se comemorar.


O mais interessante é que a história em momento algum tenta colocar ricos como vilões ou pobres como malandros, mas apenas mostra a realidade tão distinta das camadas sociais e como, dentro de cada um dos universos, seus membros podem ter dificuldade para enxergar seus iguais. Basta uma leve ascensão social ou financeira para ser criada a sensação de rompimento, de escalada social, quando na verdade pertencemos a uma maioria que é muito mais igual do que pensamos ou percebemos (poucos são os realmente privilegiados).


Nesse contexto, a indiferença social se sustenta de forma velada até o seu limite, mas, quando surge uma verdadeira luta de classes, ela termina sempre da mesma forma. É assim em qualquer lugar, especialmente em países como a Coreia e o Brasil, que têm tanto em comum: desigualdade social, indiferença, subordinação aos EUA e muito mais. “Que metafórico” (piada interna para quem já assistiu 😉).


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