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  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Filme: Roma

Ano: 2018

(Tem no Netflix!)


Nossa indicação da vez é um dos grandes clássicos dos tempos modernos e que figura como símbolo maior da inclusão de filmes lançados diretamente em plataformas de streaming nas grandes premiações do cinema mundial. E não apenas participou, como arrebatou 3 estatuetas no Oscar e 2 no Globo de Ouro, sem contar outras tantas premiações.


Mas o que faz de ROMA um filme tão especial?


Bom, tentando não enrolar muito, o filme do consagrado Alfonso Cuarón foi inspirado em sua própria infância, vivida no México durante a década de 1970, e dedicado principalmente a Liboria Rodríguez, a “Libo”, como era carinhosamente chamada a empregada doméstica que trabalhou para sua família na época e que inspirou a protagonista da trama: Cleo.


É notória a genialidade das atuações e a exuberância da fotografia, mas nossa indicação se dá pelo contexto da época e pela relação de Cleo com os patrões, fatores que demonstram com perfeição o enorme preconceito racial e social e que permeia há séculos todo o planeta, mas que atinge especialmente os países da América Latina e, ainda mais diretamente, as empregadas domésticas.


Embora se passe no México, poderia perfeitamente se passar por aqui ou em qualquer país vizinho, onde são tratadas como normais a terceirização da criação dos filhos, dos cuidados com a casa e com a família. Ou vai dizer que soa surpreendente ver uma família com melhores condições financeiras fazendo com que sua empregada abdique da própria vida e da própria família para garantir o seu sustento, numa falsa relação de pertencimento que esconde um enorme desrespeito aos seus direitos e garantias fundamentais? Soa incomum que uma empregada doméstica seja veladamente tolhida de sua dignidade?


É justamente aí que reside, para mim, claro, a maior beleza do filme: temos tudo isso, também um processo de humanização da protagonista, pois não faltam bons sentimentos e bons momentos permeados de carinho, cuidado, amor.


O México de 1970 não é tão diferente do Brasil de 2020. Que possamos fazer os direitos fundamentais e o amor sempre pesarem mais na balança.


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

Documentário: ReMastered: Who shot the sheriff?

Ano: 2018

(Tem no Netflix!)


Eita que hoje vamos falar de um assunto que está borbulhando nos twitters da vida: a relação direta ou indireta entre cultura e política.


É justamente por isso que a indicação da vez é o excelente documentário que leva o nome de uma das mais famosas canções da lenda jamaicana Bob Marley. A obra faz parte de uma série de documentários da série “ReMastered”, e tem como escopo principal a tentativa de assassinato sofrida por Bob em 1976, em meio a uma acirrada disputa política em seu país natal.


O QUEEÊ? Por que alguém tentaria matar o cara que é símbolo de paz e amor? “I wanna know now!”


Pois é! Bob já era o ídolo máximo da Jamaica quando a disputa pelo poder atingiu o ápice de sua tensão. De um lado estava o primeiro-ministro Michael Manley, do Partido Nacional do Povo (PNP), socialista e com forte relação com Fidel Castro, o qual buscava a reeleição; do outro lado, seu rival era Edward Seaga, do Partido Trabalhista Jamaicano (JLP), acusado por muitos de ter ligação com a CIA (os intrometidos nunca falham, né? R tem gente que acha inútil estudar história :/ ).


Ambos os lados buscavam apoio de uma lenda que na verdade queria mesmo era uma Jamaica unida, forte e humana. Dias antes de um show gratuito para promover a paz, um atentado a tiros feriu entes queridos e inclusive a ele próprio, baleado no braço. Mesmo assim, realizou o show para mais de 80 mil pessoas e nele soltou a célebre frase: “As pessoas que estão tentando fazer o mundo um lugar pior não tiram dia folga. Como eu poderia tirar?” Em seguida, mudou-se para Londres e espalhou de vez o amor de suas músicas pelo mundo. (coração) (mundo).


“O resto é história”, é só tacar o play no documentário. E fica o exemplo de como a cultura pode amenizar conflitos e promover a paz e a humanidade entre os povos… Especialmente pela música, sempre pelo amor.


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Nossa indicação da vez está ainda nas telonas e conta a história verídica de Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), um jovem negro que, logo após se formar em direito pela conceituadíssima Universidade de Harvard, decide abrir mão da busca por fama e dinheiro para atuar numa área extremamente delicada: a defesa gratuita de condenados à pena de morte no Alabama — região historicamente contaminada por um racismo explícito e agressivo —, pessoas abandonadas pelo sistema, perseguidas pela cor de sua pele e que nunca tiveram direito a uma assistência jurídica justa.


Para ajudá-lo no projeto chamado “Equal Justice Initiative” (Iniciativa pela Justiça Igualitária), Bryan contou com o apoio de Eva Ansley (Brie Larson), a outra fundadora. Mas logo de cara, entre tantos casos de condenados sem um julgamento justo, destaca-se o caso de Walter “Johnny D.” McMillian, condenado ao corredor da morte pelo assassinato de uma jovem de apenas 18 anos, crime que jura não ter cometido.


Ao analisar o caso, o advogado depara-se com incontáveis ilegalidades, conspirações e manipulações que levaram à condenação sem provas, o que dá início a uma dura batalha para tentar salvar sua vida.


Embora a história tenha retratado outro país e outra época (passaram-se décadas), infelizmente não tivemos muitas mudanças nesse cenário torpe racista que incrimina inocentes pela cor de sua pele e sem oferecimento de uma defesa boa e justa, ainda que gratuita. O sistema todo é destinado a encontrar um culpado e os defensores, no mais das vezes, fazem parte dele com um trabalho desinteressado, parcial e inconsequente.


Discorda? Basta perguntar, em nossa cidade, a diferença que os mais necessitados vêem quando comparado o trabalho de um advogado da assistência judiciária com o de um particular. Basta ver o número de negros acusados, julgados e condenados, muitas vezes sem sequer conversar com seu defensor, que não se dá ao trabalho de procurá-lo na cela do fórum para não atrapalhar seu precioso café no ar na sala refrigerada da OAB.


Sequer podemos imaginar a sensação de nascer e crescer com medo, apenas aguardando o dia em que será nossa vez de sofrer acusações injustas e tê-las justificadas pela injustificável evidência da melanina.


“Ain, posso imaginar sim, tá?” Bom, se você não nasceu negro e pobre, sinto informar, mas não pode.


É justamente por isso que o filme se mostra tão forte e atual, pois mostra o abandono do sistema com o negro pobre, o desespero das famílias e, por outro lado, a importância que uma única pessoa pode ter incontáveis outras apenas por lhes conceder um único presente, aparentemente simples, mas que tem o poder de mudar vidas: esperança. Foi esperança o que Bryan Stevenson deu aos presos e às suas famílias em meio ao desespero em face da morte iminente, e o fez por meio de um trabalho interessado, justo e dedicado, algo que deveria estar presente em qualquer defesa jurídica.


Nas palavras do próprio protagonista da história: “Eu vim da faculdade de Direito com grandes ideias em minha mente sobre como mudar o mundo, mas o Sr. McMillian me fez perceber que não podemos mudar o mundo apenas com ideias em nossas mentes. Precisamos de convicção em nossos corações. Este homem me ensinou como me manter esperançoso, porque agora sei que a falta de esperança é inimiga da justiça. A esperança permite seguir adiante, mesmo com a verdade distorcida pelas pessoas no poder. Ela nos permite continuar de pé quando nos mandam nos sentar, e a falar quando mandam nos calar. Através desse trabalho aprendi que cada um de nós é mais do que a pior coisa que já fizemos, e que o oposto da pobreza não é a riqueza, o oposto da pobreza é a justiça. Que o caráter da nossa nação não está refletido em como nós tratamos os ricos e privilegiados, mas em como tratamos os pobres, os desfavorecidos e condenados. Nosso sistema tem tirado mais desse inocente homem do que tem poder para devolvê-lo, mas acredito que se cada um de nós puder seguir esse exemplo, nós podemos mudar o mundo para melhor. Se pudermos olhar para nós mesmos de perto e honestamente, acredito que enxergaremos que todos precisamos de justiça. Todos precisamos de piedade. E, talvez, todos precisamos de uma graça não merecida.”


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