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  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • 12 de abr. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

A afetividade além do sangue e da pobreza



Filme: Assunto de família (“Shoplifters”)

Ano: 2019


Osamu (Lily Franky) e seu filho constantemente praticam pequenos furtos pelos arredores de Tóquio, até que um dia, voltando para casa, deparam-se com uma garotinha abandonada e a levam consigo. A família a princípio reluta em abrigá-la, mas a esposa de Osamu, Nobuyo Shibata (Sakura Ando) concorda em cuidar dela depois de saber das dificuldades que enfrenta, ainda que não possuam dinheiro sequer para cuidar de si mesmos, sobrevivendo de pequenos furtos e malandragens.

A arrebatadora obra do diretor Hirokazu Kore-eda tem conquistado o mundo pela abordagem extremamente sensível que encontra em meio à miséria e à fragilidade moral de uma família pobre japonesa, mostrando toda a sua dinâmica afetiva que se sobressai a todos os problemas mundanos.  


Mas o que é uma família? O que a caracteriza? São os laços consanguíneos? “Shoplifters” desconstrói e constrói a imagem de uma família real na essência, legítima, com suas intrigas, invejas e com a comunhão que nos faz pensar imediatamente em nossos familiares, independentemente da origem de cada membro.


Também é notável a miséria que se faz presente no acanhado espaço que compartilham como lar, inclusive a miséria moral. Salta aos olhos a imperfeição das personagens pelas mentiras e traquinagens comuns a todas as pessoas, e como passamos nossos defeitos também para as crianças, que, nesse caso, ajudam na prática de pequenos furtos. Esses, aliás, mostram bem o que se pode chamar de “furto de subsistência”, a imagem da insignificância, que monta o quadro real de que nem todo crime faz um bandido, e este, por vezes, tem amor em tamanho equivalente ao ódio de quem o condena (se não ainda maior).


Vale a pena conferir essa ode à sensibilidade e complexidade da natureza humana, e assim mergulhar nessa discussão familiar através da dinâmica afetiva de uma família nada ortodoxa, já que o que une e faz uma família é o amor e não o sangue.


Como diria Leoni: “E o que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia…


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • 5 de abr. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias




Filme: Short term 12 (“Temporário 12”)

Ano: 2013


Grace (Brie Larson) é uma jovem com conturbado histórico familiar que trabalha como assistente social em um lar de acolhimento temporário para adolescentes desamparados (órfãos ou com problemas familiares). Apaixonada por Mason (John Gallagher Jr.), colega de trabalho, ela dedica sua vida a cuidar dos outros enquanto tem que lidar com seus próprios demônios do passado e com a ansiedade pelo que está por vir.

Se você pensa que Brie Larson tornou-se uma heroína apenas ao dar vida a Carol Danvers, a “Capitã Marvel”, está muito enganado. No já distante ano de 2013, ao interpretar a jovem Grace, mostrou o heroísmo vivido por aqueles que, sem holofotes, fama ou reconhecimento do público, dedicam suas vidas a melhorar a vida dos outros.


É o que acontece nos bastidores da nossa sociedade, onde assistentes sociais enfrentam o problema de frente, de perto, à flor da pele, sem a caneta mágica que glorifica e enaltece promotores e juízes em seus respectivos gabinetes. Falta, e muito, reconhecimento pela extrema humanidade que sobrevive nos que deixam de lado o egoísmo para criar um mundo melhor.


Em “Temporário 12”, podemos sentir toda a dificuldade em lidar com jovens desamparados, seja por apresentarem algum problema de saúde, seja por traumas familiares. É um trabalho “de formiguinha” que exige paciência, sensibilidade e uma grande dose de amor, pois não é fácil se colocar na pele dos outros e deixar a própria vida em segundo plano, né?


O que passa muitas vezes despercebido é que, ao curar alguém, curamos um pouquinho de nós mesmos. Ao ajudar alguém, também nos ajudamos. E todo o bem que fazemos aos outros é, no fim das contas, um bem que nos fazemos. É essa sensibilidade que o maravilhoso filme traz, nos fazendo pensar na forma que tratamos os jovens no Brasil, no mundo fático ou no das ideias, pois nossos jovens desamparados não precisam de penas duras: precisam de amor.


  • Foto do escritor: Enzo Pellegrino
    Enzo Pellegrino
  • 29 de mar. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

A luta conta um sistema que condena pela cor da pele



Filme: Se a Rua Beale falasse

Ano: 2019


Baseada no célebre romance de James Baldwin, a obra conta a história de amor entre os jovens Fonny (Stephan James) e Tish (Kiki Layne), em meados da década de 1960. Com o famoso Harlem como cenário, o início da construção de suas vidas como casal é interrompido quando Fonny é preso por um crime que não cometeu, e isso ocorre justamente quando Tish descobre estar grávida. Desejando com todas as forças que o filho possa ser criado por pai e mãe, ela faz de tudo para provar sua inocência.

Embora a história tenha muito bem definidos seus personagens principais, não trata apenas deles, e sim de um contexto histórico de racismo, injustiça e indiferença que vigorava à época e que, infelizmente, ainda sobrevive.


O filme se passa no Harlem, bairro de Manhattan, na cidade de Nova Iorque, conhecido mundialmente pela força da cultura afro-americana e, por isso, onde se pode sentir ainda mais a brutalidade do preconceito em relação à cor da pele. Prisões injustas e mortes, no fim das contas, são apenas as consequências mais gravosas de um trágico cenário de humilhações e assédio vivenciados diária e rotineiramente pelos negros, e isso, infelizmente, parece estar longe de acabar (preconceito velado também é preconceito, amiguinhos).


O que o filme mostra de forma brilhante é que essa discriminação não parte apenas dos brancos, já que as minorias também agridem a si próprias. Assim como o machismo também pode vir da mulher, há preconceito racial de negros contra negros, seja por racismo ou injúrias, numa desunião que enfraquece a todos, ofensores e ofendidos. Penso ser natural (embora lamentável) que a ignorância intelectual e principalmente moral apresente às vítimas um caminho tortuoso para deixar essa posição: tornar-se o agressor.


Ainda podemos perceber como o sistema de negociação de penas pode se mostrar cruel com inocentes, que, conscientes da própria vulnerabilidade, deparam-se com ofertas que lhes podem tirar anos de liberdade pelo simples receio de serem punidos, de forma ainda mais gravosa, por crimes que não cometeram. E tem gente que quer no Brasil, né?


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